Reflexões

monstro

Todos nós temos depressão!

Sim, isso mesmo. Como que um vírus encubado na alma, todo o ser humano está propenso a ser atormentado pela depressão um dia. Uns tem a sorte de jamais desenvolverem qualquer estágio da doença durante suas vidas, por razões e fatores múltiplos que nem Freud explicaria. Em resumo, creio que por uma soma de coisas interligadas tais como genética física e mental e circunstâncias que sustentam o ego de forma positiva durante o tempo de vida, principalmente no que tange à satisfação material, a maioria não a desenvolve, pelo menos não a depressão profunda. Mas mesmo estas pessoas estão suscetíveis a desenvolver algum tipo de depressão a depender daquilo que consideram ser unicamente importantes na vida. Por isso, alguns se deprimem temporária ou permanentemente quando um ente muito querido ou um grande amor morre. Até mesmo a perda de um bem material, ou um vexame muito grande na vida são motivos para o ser humano desenvolver a doença.

Claro que também a personalidade de cada um é fator fundamental para a pessoa não se tornar depressiva. Mas isso é inato, um dom de sorte. Pessoas com alta capacidade natural de saber lidar de forma segura diante das dificuldades externas. Sim, digo externas, pois os fatores internos, oriundos do subconsciente ou de uma personalidade extremamente introspectiva e melancólica causam irremediavelmente a depressão existencial em pessoas que vivem questionando o universo.

A depressão existencial é a pior, visto que a memória armazena todo o realismo e pessimismo gerado nos momentos de reflexão sobre o sentido da vida e tudo o mais. Somada aos traumas e sucessão de fracassos no campo material no decorrer da vida, a existência deste ser fica, deveras, muito complicada no que se refere à depressão.

Mas por que eu digo que todos nós temos depressão? Primeiro porque muitos a tem e nem percebem ou não são diagnosticados simplesmente por não irem atrás de psicólogos ou psiquiatras. Só vai atrás destes profissionais quem já entrou no campo do desespero. Muitos reagem das formas mais variadas, com bipolaridade, TOC e demais distúrbios maníacos. Mas estes, podem ser considerados sortudos, pois não sofrem a dor crônica e o tormento psicológico causado pela depressão propriamente dita.

Segundo, porque, assim como nascemos com um relógio biológico programado para parar um dia, resultando na tão temida morte, temos, consequentemente, em conjunto com isso, o kit, o vírus encubado ou a bomba-relógio que pode acabar explodindo a qualquer momento em forma de depressão. Então, ao nascermos mortais e vulneráveis às mais variadas formas de sofrimento causadas pela imperfeita sociedade humana, ficamos automaticamente reféns desta que é conhecida como a doença da alma.

O que faz sentido na vida é unicamente a felicidade, preenchida por sorrisos, risos e alegria, causadas por amor, amizade, bondade, enfim, perfeição. Mas por algum motivo lá no passado, hoje estas virtudes não passam apenas de meros momentos na vida e muitos, de certa forma, se contentam com tão pouco e não desenvolvem efetivamente uma depressão.  Mas o verdadeiro sentido da vida é a felicidade eterna ou simplesmente a eternidade, pois uma coisa não pode existir sem a outra. Felicidade é sinônimo de eternidade e vice-versa. Não importa se você não acredita em Deus. De todo o jeito, a alma, consciente ou inconscientemente clama por continuidade existencial. Ninguém quer morrer, nem mesmo pra ir pro céu, a menos que tenha disturbio mental. Até mesmo aqueles que se matam se arrependem durante o processo do suicídio. Por exemplo, quando estão sendo enforcados, os suicidas tentam de toda a maneira voltar atrás, se livrarem da corda que os enforca, mas se torna tarde demais. É o instinto de sobrevivência que vemos até mesmo nos animais. A vida foi criada para ser eterna, temos isso em nossos  corações e não adianta dizer que não se tem medo da morte e que se pretende viver apenas uns 80 anos porque isso não passa de conversa fiada.

Ninguém que não medite ou reflita constantemente sobre estes pontos sobre eternidade e sentido da vida, terá uma crise existencial, isto é fato. Mas nem todos os que estão cientes desta realidade irão se tornar necessariamente depressivos. Muitos podem até ser realistas, pessoas introspectivas, absortas, mas que conseguem lidar com a dura realidade que temos neste mundo repleto de crueldade e injustiça. Depende muito do conformismo de cada um diante de tanta coisa errada no sistema. Aqueles que não se conformam com o sofrimento, a velhice e a morte, como no meu caso, certamente terão a crise existencial e consequentemente a depressão.

 O que há de se fazer?

Bem, seja lá qual for o seu tipo de depressão, a conclusão a qual cheguei para convivermos com este problema e administra-lo da melhor maneira possível é, simplesmente, preencher as lacunas do dia a dia.

No momento tenho apenas pequenos trabalhos pela manhã e academia a noite. Muito pouco ainda para quem deseja se livrar de tanto sofrimento. Mas, também o trabalho que está sendo desenvolvido ao escrever este blog tem me causado certa euforia e entusiasmo. Voltei a sonhar com algumas coisas, alguns projetos. O ser humano revive quando volta a sonhar. Sim, eu sei que tudo é ilusão mas quando estamos com a mente muito ocupada com os planos e tarefas, esquecemos disso temporariamente e obtemos alívio.

Então, estou ciente de que posso trabalhar pela manhã ou integralmente a depender do prazer que tenha neste trabalho, malhar de tardinha e ler ou aprender alguma outra atividade a noite. Nos finais de semana, sair, caminhar, etc.

Temos também que alimentar o ego. Sem jamais perder a humildade, que é o dom que mais nos aproxima de Deus ou da possibilidade de conhece-lo mais plenamente, somos inevitavelmente movidos por um combustível chamado “elogio”. Vivemos num mundo de trocas. Eu lhe presto um serviço e você me paga. Se o serviço é bem feito e recebo reconhecimento ou elogios, o pagamento vem em dobro, seguido por motivação e objetivo de me tornar ainda melhor, perfeito.

Por isso, atividades artísticas são tão importantes na vida de alguém que sofre com a depressão. Os artistas, amadores ou não, são os que mais recebem elogios, seja pela criatividade, dom ou capricho na execução de alguma obra. Mesmo que não nos dê retorno financeiro, os elogios e incentivos servirão de uma ajuda muito grande para que consigamos algo mais no decorrer do tempo.

O orgulho sadio de se conquistar coisas e ser reconhecido por isso é, sem dúvidas, um dos principais combustíveis para uma existência objetiva. Melhor ainda, se nossas realizações transmitem, direta ou indiretamente, benefícios aos outros. É muito bom também nos importarmos com o próximo, ajudar aos que estão igualmente sofrendo na vida, nos tornarmos importantes para eles, sem, no entanto, que caiamos no laço da ostentação ou da soberba. O “fazer o bem” é algo absolutamente inerente ao ser humano comum. Não há do que se gabar quando ajudamos aos necessitados. Vivemos num mundo onde a bondade, a honestidade e demais virtudes se tornaram privilégio apenas de pessoas extraordinariamente superiores e não é bem assim. É, no mínimo, obrigação de todos nós, fazermos o bem a quem quer que seja. Não há méritos, na verdade. Se o mundo de hoje em dia vê como absurdamente louvável o ato da bondade e da boa vontade, o problema está nele e não em nós. Numa sociedade humana ideal tudo isso seria absolutamente normal. Portanto, vigie-se para que não esteja fazendo as coisas visando somente retorno material e até mesmo idolatria, ao invés de satisfação pessoal e consciência tranquila.

E,mais, faça novas amizades, tente. Seja seletivo, se envolva com pessoas, aos poucos, percebendo se elas são realmente de confiança, para que não haja decepção futuramente. Mas também não espere perfeição das pessoas e aprenda a compreende-las ao falharem em algo. Bons amigos farão o mesmo quando você também falhar com eles.

Mas e se parecer impossível?

monstroTudo o que se imagina é possível de acontecer. Claro que se você imaginar um monstro surreal de 80 metros de comprimento emergindo do oceano e batendo asas rumo ao céu, isso não irá acontecer de fato, pois tais monstros obviamente não existem na vida real. Mas é possível que alguém faça isso se tornar realidade através de um filme de ficção, ou seja, se você cria em sua mente a possibilidade de qualquer absurdo, a resposta para que isso aconteça só poderá vir também através de imaginação e criatividade também absurdamente incríveis. Você tem o poder de imaginar coisas, tanto normalmente, como estranhamente possíveis, mas para que existam dependerá de qual forma isso seja feito. A única forma para que o monstro em questão tenha vida e saia por ai destruindo tudo é através de filmes, desenhos ou contos. Porque quando estamos entretidos, eufóricos ou com medo das ações do monstro fictício num cinema, por exemplo, estamos tornando ele vivo e real em nossas mentes, naqueles momentos de adrenalina. Ele está agindo em nossas vidas mesmo não existindo em carne e osso. A arte pode ser a única forma existente para que as coisas absurdas que imaginamos  existam, mas inegavelmente esta forma existe, mesmo que não seja o resultado ideal esperado para quem imaginou. Se imaginou é porque tem como existir, “modus operandi” a parte.

Isso se aplica no caso da depressão que julgamos ser impossível a cura. A cura propriamente dita, devido à complexidade da mente e de tudo o mais envolvido no desenvolvimento da doença, pode não ser aquela que realmente desejamos, mas não podemos negar que, de uma forma ou de outra, ela exista.

Se o alívio obtido através de métodos como os sugeridos neste blog, só ocorre em determinados momentos, o próximo passo a ser dado é fazer com que tais momentos sejam mais frequentes e preencham nosso cotidiano. Como se precisássemos de injeções a cada hora, diariamente, até o fim de nossas vidas. Para alguns, é mais ou menos isso o que medicamentos receitados por psiquiatras fazem quando aqueles que os tomam se tornam dependentes dos alívios momentâneos.

A alternativa que tento passar aqui é, na verdade, a tentativa de treinar o cérebro para que não dê mais tanta importância aos pensamentos negativos e os substitua por atividades que preencham o nosso dia a dia. Sem que, para isso, nos tornamos dependentes totalmente da forma como o alívio foi conseguido.

O cérebro terá que estar apto a aceitar alguma mudança brusca que ocasionalmente possa vir a ocorrer. A possibilidade da perda daquele emprego legal que estava preenchendo beneficamente a sua mente e dando resultados maravilhosos tem que ser uma realidade e nem por isso significar o fim de tudo caso venha a ocorrer. Há outros empregos, há sempre outras alternativas. É como aquela pessoa que se apaixona pela primeira vez e crê que a vida não faz mais sentido se o amor que ela sente não for mais correspondido. Se esta pessoa não cometer nenhuma besteira por causa disso, terá tempo de perceber que não existe amor para apenas uma única pessoa num mundo de 7 bilhões de almas. Logo se apaixonará por outra ou por outras e uma hora, quem sabe, poderá ser correspondido, mas o importante foi saber que ninguém é insubstituível.

Se aquilo que estava dando certo se acabou, o tempo se encarregará de nos mostrar novas possibilidades. Se o cérebro estiver bem treinado para esta realidade, a necessidade desse tempo poderá nem mesmo existir mais. É nisso que pretendo chegar e é isso que desejo a você.

Assim como o monstro citado a depressão também está na mente e reflete na alma e no corpo. Através de nossa imaginação e criatividade podemos criar artifícios para que estejamos completamente envolvidos no combate ao monstro da depressão. Ou seja, a imaginação cria o monstro que por sua vez é destruído pala própria imaginação que o criou. Claro que o monstro da depressão não foi imaginado apenas em questão de segundos, mas se formou através de um histórico de anos de traumas conscientes e inconscientes. Portanto, o nosso filme terá que se transformar numa longa serie, onde estaremos profundamente entretidos diariamente na expectativa de que o monstro, por fim, seja aniquilado.

Difícil como retirar uma flecha do corpo

Já reparou alguma vez como é o formato da ponta de uma flecha? Ela é formada pela ponta principal e mais duas pontas na parte inferior, formando uma seta. Isso foi criado por guerreiros antigos na intenção de tornar extremamente difícil e dolorosa a retirada da flecha do corpo do inimigo ferido. Se puxada, as pontas inferiores fariam um estrago bem grande na carne, acrescentado de uma dor indescritível, se é que a retirada fosse possível. Mas, a depender do caso, havia pelo menos uma maneira de se retirar a flecha sem causar tantos danos:  Seria simplesmente empurrar a ponta para frente para que ela varasse o corpo e saísse do outro lado, abrindo uma saída. Bem, de qualquer forma, embora muitas vezes eficaz, não deixava de ser extremamente dolorosa.depressao

A depressão também é uma flecha fincada em nossos corações, ou melhor, em nossas mentes, de onde temos enorme dificuldade para retirá-la. Mas em momento algum não deixa de haver alternativa, por mais dolorosa que seja.

Então, no caso da flecha, é como se vivêssemos naquela época e tivéssemos apenas 3 alternativas:

  • Deixa-la que fique alojada e cause infecção, dor e demais consequências, incluindo a morte.
  • Puxa-la e piorar ainda mais a situação, com muito mais dor, destruindo a carne e causando hemorragia.
  • Empurra-la para a frente na tentativa de encontrar a saída de uma maneira dolorosa, mas com bom resultado.

Da mesma forma, no que se refere à depressão, você tem 3 alternativas:

  • Você pode deixar como está, sem lutar, morrendo aos poucos na cama, à beira do suicídio.
  • Buscar alternativas extremas nas drogas, na bebida, etc, e piorar ainda mais a situação.
  • Ou lutar pacientemente, todos os dias, seguindo em frente, apesar da dor, no objetivo de encontrar a saída para o sofrimento.

Tenha em mente que você tem que buscar ajuda e obter a melhor, ou menos ruim das alternativas, na luta diária para que consiga encontrar a saída e vencer a depressão.

Se conseguir retirar a flecha e sentir alívio, saiba que a depressão não é somente a própria flecha, mas também um arqueiro, pronto para disparar quantas forem necessárias na tentativa de destruí-lo.

Portanto, retire a flecha e providencie um escudo para as muitas outras que poderão ser disparadas na sua vida!

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